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Engenheiro da Petrobras acusa a CIA e os EUA de ligação com o furto
Para Fernando Siqueira, estadunidenses vivem cenário crítico de abastecimento de petróleo e teriam interesse em saber mais sobre a bacia de Santos
18/02/2008
Mário Augusto Jakobskind,
do Rio de Janeiro
Fernando Siqueira, diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), culpa a CIA (agência de inteligência dos Estados Unidos) e a empresa estadunidense Halliburton como os potenciais responsáveis pelo furto de dois notbooks, CDs e um disco rígido com informações estratégicas e ultra-confidenciais da Petrobras sobre as recentes descobertas de campos de petróleo e gás na Bacia de Santos, numa extensão de 800 quilômetros e 200 quilômetros de largura.
Siqueira justifica esta hipótese argumentando com a situação delicada dos Estados Unidos sobre o abastecimento de petróleo. O país é o maior consumidor do planeta e necessitam do consumo de 15 bilhões de barris por ano. Suas reservas somam apenas 28 bilhões. Segundo o engenheiro, a descoberta de uma província energética estimada em 80 bilhões de barris, que tornarão o Brasil um dos grandes da área petrolífera, certamente fez aumentar a cobiça estadunidense.
A transnacional Halliburton tem vínculos estreitos com o primeiro escalão da Casa Branca, como o vice-presidente Dick Cheney, e é uma das principais fornecedoras do Pentágono. Para Siqueira, este furto significa uma espécie de recebimento de mão beijada de informações privilegiadas que a Petrobras levou 30 anos para levantar. O prejuízo não foi maior porque a empresa petrolífera brasileira tinha cópia das informações.
A CIA ou a Halliburton, a empresa responsável pelo material furtado, acredita Siqueira, certamente cometeram um erro, pois ao trocarem os dados não tiveram tempo de repor o que tinham pego. Para os Estados Unidos, que hoje ocupam países com reservas petrolíferas valiosas, como o Iraque, ter acesso às riquezas energéticas nas bacias de Santos (Tupi e Júpiter) é uma questão de sobrevivência diante da antecipação do pico de consumo de petróleo para 2008, quando a previsão era de que isso ocorreria a partir de 2010, explica Siqueira. A ministra Dilma Roussef (Casa Civil) também acredita que tenha havido espionagem industrial.
Pesquisas de 30 anos
Segundo Fernando Siqueira, a Bacia de Santos, a área onde se encontra as bacias de Tupi e Júpiter foi formada quando da separação do continente africano da costa brasileira . Uma camada de sal de dois quilômetros de espessura e com profundidade de 5 a 7 quilômetros abaixo do nível do mar cobriu o campo de petróleo e gás correspondente aos 800 quilômetros da Bacia de Santos, protegendo assim a riqueza energética. O sal protetor, explica o engenheiro, evita que o petróleo e o gás se evapore. Com uma tecnologia ao alcance da Petrobrás, o Brasil terá acesso a estas riquezas.
As pesquisas empreendidas pela estatal brasileira fizeram possível tornar realidade o sonho de o Brasil se transformar em pouco tempo numa potência energética. Mas esta realidade, entende Fernando Siqueira, naturalmente desperta a cobiça de empresas transnacionais do setor petrolífero e dos serviços de inteligência.
Dúvidas na informática
Para especialistas do setor de informática é surpreendente o descaso da Petrobrás ou da empresa responsável pela segurança do material que continha as informações furtadas. Qualquer grupo de bem menor porte do que a estatal tem facilmente como evitar a ocorrência de incidentes como o roubo dos notebooks e dos discos rígidos. Um exemplo é a adoção de um sistema que requer a digital de técnicos autorizados para permitir a abertura de determinados arquivos.
Também gera questionamento o fato de a Petrobrás não ter criptografado os dados confidenciais contidos nos dois notebooks. É o caso de perguntar também como a Halliburton poderia aceitar fazer o transporte de computadores acessíveis a qualquer pessoa e mesmo notebooks simples sem nenhum tipo de proteção?
A Polícia Federal segue investigando o desaparecimento dos materiais com as informações. A principal linha da investigação é a de espionagem industrial, sendo que os agentes não excluem a possibilidade de que algum serviço secreto estrangeiro tenha feito o furto dos materiais da Petrobras.
BRASIL DE FATO
daniela disse,
sábado, fevereiro 28, 2009 @ 12:02 am
a petrobras e nota mil..ok