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Reflexões sobre um Ecossistema em Extinção

A Biologia da Conservação é uma ciência multidisciplinar que foi desenvolvida como resposta à crise com a qual a diversidade biológica se confronta atualmente (Soulé, 1985). A biologia de conservação tem dois objetivos: primeiro, entender os efeitos da atividade humana nas espécies, comunidades e ecossistemas, e, segundo, desenvolver abordagens práticas para prevenir a extinção de espécies e, se possível, reintegrar as espécies ameaçadas ao seu ecossistema funcional (Primack & Rodrigues, 2001). 

Durante o feriado que se iniciou em 15 de novembro, estive visitando o Parque Nacional das Emas, situado nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, junto com os alunos da disciplina de “Manejo de Áreas Silvestres”. Esse Parque Nacional compreende uma área de mais de 130.000 ha que tem como principal objetivo a conservação da biodiversidade do Bioma Cerrado.

O parque é realmente maravilhoso, em estado de conservação muito bom. Devido a isso foi possível conhecer espécies de plantas que nunca havíamos visto durante a faculdade e observar, a curtas distâncias, animais nativos do bioma Cerrado como: veados, tamanduás, emas e os mais exóticos pássaros possíveis. Isso foi uma pequena amostra da biodiversidade do nosso grande Brasil.

Mas o fato que mais me chamou a atenção foram as áreas de entorno do parque: grandes plantações de soja e milho, submetidos à agricultura intensiva, com intensivo preparo de solo, uso de maquinários pesados, pesticidas, herbicidas e todo o tipo de controle químico. É desnecessário falar que tipo de impacto que essas práticas causam no Parque Nacional das Emas. As áreas de transição, que devem funcionar como uma região tampão na paisagem, não existem no entorno do parque. Portanto, logo que se vê a cerca que delimita o parque é possível ver também as áreas de plantação de soja e milho. Isso fica bem claro nas fotos abaixo: 

Veja a divisa das áreas de Cerrado com a plantação de soja (ao fundo) Divisa do Parque das Emas e a plantação de milho  

A reflexão que comecei a fazer é como o poder público e sociedade estão encarando a questão ambiental no contexto atual. O Parque Nacional das Emas foi criado no governo de JK, portanto, considerado um parque um pouco antigo se comparado a outros aqui no Brasil. No entanto, quantos são os subsídios e incentivos fiscais para a expansão da fronteira agrícola para as áreas de Cerrado, concedidos pelo governo desde o mesmo período? Incentivos que só beneficiam os que já têm dinheiro para produzir e exportar esse alimento que é um dos menos consumidos pelos brasileiros? Como você, estudante e/ou cidadão consciente, pode contribuir contra isso? Já existe bastante conhecimento na área da biologia da conservação para entendermos que as áreas de entorno exercem uma influência muito grande dentro das unidades de conservação, mas por que é tão difícil aplicar esse conhecimento e explicar para aqueles que estão ganhando muito dinheiro com esse negócio insustentável?

Mais uma vez precisamos refletir sobre as nossas ações como consumidores e como cidadãos conscientes, ativos eleitoralmente. Ano que vem haverá eleições presidenciais, portanto, pense melhor antes de escolher seu candidato, afinal de contas, tudo isso é uma questão social, econômica, ambiental e principalmente política.

Pense nisso! 

Danilo Scorzoni Ré

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