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Engenheiro da Petrobras acusa a CIA e os EUA de ligação com o furto

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Engenheiro da Petrobras acusa a CIA e os EUA de ligação com o furto

por jpereiraÚltima modificação 19/02/2008 20:44

Para Fernando Siqueira, estadunidenses vivem cenário crítico de abastecimento de petróleo e teriam interesse em saber mais sobre a bacia de Santos

Para Fernando Siqueira, estadunidenses vivem cenário crítico de abastecimento de petróleo e teriam interesse em saber mais sobre a bacia de Santos

18/02/2008


Mário Augusto Jakobskind,

do Rio de Janeiro

 

 

Fernando Siqueira, diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), culpa a CIA (agência de inteligência dos Estados Unidos) e a empresa estadunidense Halliburton como os potenciais responsáveis pelo furto de dois notbooks, CDs e um disco rígido com informações estratégicas e ultra-confidenciais da Petrobras sobre as recentes descobertas de campos de petróleo e gás na Bacia de Santos, numa extensão de 800 quilômetros e 200 quilômetros de largura.

 

Siqueira justifica esta hipótese argumentando com a situação delicada dos Estados Unidos sobre o abastecimento de petróleo. O país é o maior consumidor do planeta e necessitam do consumo de 15 bilhões de barris por ano. Suas reservas somam apenas 28 bilhões. Segundo o engenheiro, a descoberta de uma província energética estimada em 80 bilhões de barris, que tornarão o Brasil um dos grandes da área petrolífera, certamente fez aumentar a cobiça estadunidense.

 

A transnacional Halliburton tem vínculos estreitos com o primeiro escalão da Casa Branca, como o vice-presidente Dick Cheney, e é uma das principais fornecedoras do Pentágono. Para Siqueira, este furto significa uma espécie de recebimento de mão beijada de informações privilegiadas que a Petrobras levou 30 anos para levantar. O prejuízo não foi maior porque a empresa petrolífera brasileira tinha cópia das informações.

 

A CIA ou a Halliburton, a empresa responsável pelo material furtado, acredita Siqueira, certamente cometeram um erro, pois ao trocarem os dados não tiveram tempo de repor o que tinham pego. Para os Estados Unidos, que hoje ocupam países com reservas petrolíferas valiosas, como o Iraque, ter acesso às riquezas energéticas nas bacias de Santos (Tupi e Júpiter) é uma questão de sobrevivência diante da antecipação do pico de consumo de petróleo para 2008, quando a previsão era de que isso ocorreria a partir de 2010, explica Siqueira. A ministra Dilma Roussef (Casa Civil) também acredita que tenha havido espionagem industrial.

 

Pesquisas de 30 anos

Segundo Fernando Siqueira, a Bacia de Santos, a área onde se encontra as bacias de Tupi e Júpiter foi formada quando da separação do continente africano da costa brasileira . Uma camada de sal de dois quilômetros de espessura e com profundidade de 5 a 7 quilômetros abaixo do nível do mar cobriu o campo de petróleo e gás correspondente aos 800 quilômetros da Bacia de Santos, protegendo assim a riqueza energética. O sal protetor, explica o engenheiro, evita que o petróleo e o gás se evapore. Com uma tecnologia ao alcance da Petrobrás, o Brasil terá acesso a estas riquezas.

 

As pesquisas empreendidas pela estatal brasileira fizeram possível tornar realidade o sonho de o Brasil se transformar em pouco tempo numa potência energética. Mas esta realidade, entende Fernando Siqueira, naturalmente desperta a cobiça de empresas transnacionais do setor petrolífero e dos serviços de inteligência.

 

Dúvidas na informática

Para especialistas do setor de informática é surpreendente o descaso da Petrobrás ou da empresa responsável pela segurança do material que continha as informações furtadas. Qualquer grupo de bem menor porte do que a estatal tem facilmente como evitar a ocorrência de incidentes como o roubo dos notebooks e dos discos rígidos. Um exemplo é a adoção de um sistema que requer a digital de técnicos autorizados para permitir a abertura de determinados arquivos.

 

Também gera questionamento o fato de a Petrobrás não ter criptografado os dados confidenciais contidos nos dois notebooks. É o caso de perguntar também como a Halliburton poderia aceitar fazer o transporte de computadores acessíveis a qualquer pessoa e mesmo notebooks simples sem nenhum tipo de proteção?

 

A Polícia Federal segue investigando o desaparecimento dos materiais com as informações. A principal linha da investigação é a de espionagem industrial, sendo que os agentes não excluem a possibilidade de que algum serviço secreto estrangeiro tenha feito o furto dos materiais da Petrobras.

BRASIL DE FATO

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A sustentabilidade depende das nossas atitudes

 

Richardson Barbosa Gomes da Silva*

 

Por incrível que pareça, ainda hoje quando percebemos diversas pessoas, entidades e empresas preocupadas cada vez mais com temas importantes como meio ambiente, sustentabilidade e aquecimento global, promover ações envolvendo a conservação dos nossos recursos naturais tem sido um grande desafio para aqueles que acreditam nessa causa.

O Brasil é sem dúvida o grande destaque mundial quando os quesitos em pauta são a nossa biodiversidade e também nossos recursos hídricos. Tudo isso é muito bonito quando visto em documentários e revistas, mas de nada isso adianta se em contrapartida verificamos as vergonhosas notícias testemunhando problemas gravíssimos, como por exemplo, o aumento do desmatamento na Floresta Amazônica, biopirataria de nossas matérias primas, grilagem, concentração de terras e diminuição da floresta em detrimento do crescimento da pecuária e da produção de grãos para exportação.

No entanto, muitos avanços têm sido alcançados na promoção de práticas mais sustentáveis. Dentro desta proposta encontramos ONGs, Empresas e também o Poder Público engajados em projetos sérios, a fim de fazer do Brasil não apenas um gigante que repousa em berço esplêndido, mas sim um gestor que tem consciência de sua importância no contexto mundial e sabe exatamente onde quer e pode chegar.

Diante desse grande paradoxo, vemos claramente duas situações distintas postas em debate. De um lado o Brasil que pensa no futuro e prima por ações que garantirão a qualidade de vida das próximas gerações, por outro, os que ainda cultivam em suas mentes pensamentos ultrapassados visando à produção a qualquer custo, mesmo que isso coloque em risco o equilíbrio já tão ameaçado dos ecossistemas naturais.

Mesmo assim, não devemos ser inocentes e acreditarmos que a melhor solução seja manter todos nossos recursos naturais intocáveis para todo o sempre, pois se assim fosse, poderíamos questionar a formação de biólogos, geólogos, engenheiros florestais, ambientais e outros profissionais que trabalham todos os dias embasados em práticas sustentáveis, objetivando conscientizar e estabelecer na sociedade, práticas de uso racional dos diversos recursos naturais. Neste caso, cabe usar o velho provérbio: “nem tanto ao mar, nem tanto a terra”, pois neste momento o que o meio-ambiente mais necessita é de pessoas sérias e sensatas, dispostas realmente a colaborar com uma causa maior e muito mais justa do que qualquer extremismo exacerbado.

Sendo assim, sejamos conscientes em nossas atitudes em relação ao meio ambiente, jamais nos esquecendo que por trás da grande divergência de visões a respeito das ações sustentáveis, inegavelmente o planeta necessita de reparos urgentes nos danos que um dia lhe foram e ainda continuam sendo causados.

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