Archive for março, 2008

Simpósio sobre Sustentabilidade das Plantações Florestais

 


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Colapso na sustentabilidade: o preço pago por vivermos num país desigual

Bastou o Ministério do Meio Ambiente anunciar no começo desse ano o aumento nos índices de desmatamento na Amazônia Legal brasileira, para reativar todo o discurso a respeito do descaso com que olhamos para a região amazônica e o que não estamos fazendo para conservá-la. Nesse momento, de fato alguns críticos, cientistas e políticos bem que tentaram retomar o já tão conhecido discurso sobre o desmatamento, tentando recolocar na cena principal, a paradoxal situação entre o aumento da produção e a perda de áreas florestais. No entanto, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, logo percebendo quão desastroso seria continuar sem investir pesadamente na fiscalização, tratou então de montar diversas operações visando constatar irregularidades ambientais na região – e sem dúvida elas não demorariam a aparecer.

No município de Tailândia, no estado do Pará, há mais ou menos uma semana atrás, ocorreu uma cena que me fez repensar alguns conceitos a respeito de sustentabilidade. A cena em questão, que mencionei, reproduziu-se perfeitamente como uma verdadeira guerrilha em plena floresta Amazônica. De um lado estavam os policiais militares e do outro, moradores e trabalhadores locais que com medo de perderem seus empregos, agiam afoitos, impulsivos e sem raciocínio algum. Tudo isso gerando um panorama lamentável, chamando-nos a atenção para a amarga realidade dos conflitos na região.

Naquele momento então, percebi que infelizmente a sustentabilidade é um conceito ainda muito distante para um grande número de pessoas em nossa sociedade, acarretando não só uma grande erosão educacional na formação cidadã das pessoas, mas principalmente, ações cada vez mais desrespeitosas com o meio em que vivemos.

No entanto, refletindo mais sobre o problema, vejo que não devemos colocar toda culpa sobre as atitudes radicais tomadas pelos moradores de Tailândia afinal, como eles poderiam pensar em realizar ações economicamente viáveis, quando os mesmos percebem que têm sua mão de obra explorada todos os dias a troco de deploráveis salários e condições? Ou mesmo querermos que eles fossem socialmente justos e culturalmente aceitos, quando na verdade vivem marginalizados e destituídos do sentimento de integração social? No quesito, ambientalmente correto prefiro não dizer nada, mas sim propor um ponto reflexão, afinal, com todas estas condições anteriormente citadas, eu lhes pergunto se seria possível que os moradores locais pensassem em estratégias sustentáveis, a fim de manter a floresta em pé e dela pudessem retirar seu sustento?

Com toda essa situação, o povo perde e conseqüentemente todo o país também. Situação lastimável esta, ver a nossa mãe pátria deixando de ensinar seus filhos a enxergar perspectivas num futuro próximo e deles não esperar ações responsáveis que objetivem a sustentabilidade do planeta.

                                                                  Richardson B. G. da Silva

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